A aldeia de Castro Laboreiro

A aldeia de Castro Laboreiro das brandas e das inverneiras

"Castro Laboreiro, um "destino" há muito procurado, designadamente pelo maravilhoso convívio com a natureza que esta zona serrana nos oferece, encontra-se integrada no Parque Nacional da Peneda Gerês" (Rocha, 1993, p. 121).
Castro Laboreiro é uma das aldeias mais emblemáticas do Minho, resultado do isolamento que sofreu no passado, o qual permitiu que chegassem intactos nos nossos dias, aspetos do património histórico e cultural da aldeia, como a arquitetura, paisagem e modo de vida das suas gentes, ainda hoje marcado por um forte espírito comunitário. aldeia-castro-laboreiro-peneda-geresAntigo conselho medieval, está situada no extremo Norte do Alto Minho e de Portugal. Estando a aldeia localizada no cimo da montanha, a mais de mil metros de altitude, levou a que os castrejos defendessem os seus costumes, e tradições de todas as influências estranhas, e que ainda hoje persistem. Uma dessas tradições é a das inverneiras e das brandas. Em meados de Dezembro, com a chegada do frio e dos nevões, as populações de Castro Laboreiro pegam nas suas roupas, utensílios caseiros e de lavoura e "tangendo o gado, migram em massa para os vales, onde possuem uma segunda casa e uma segunda aldeia." (Rocha, 1993, p. 127). E ficam nas Inverneira, abrigados do frio, até meados de Março. "O povo de Castro Laboreiro ficou sempre indelevelmente marcado quer pelo nomadismo das suas migrações... Não se trata de uma transumância, mas sim na migração total - gados, pessoas, animais domésticos e meios de subsistência , deixando completamente ermos aqueles lugares." (Rocha, 1993, p. 21). Também Sampaio (1991, p. 90) faz referencia às tradições castrejas quando afirma: "Rica de tradições e costumes, dos quais se podem destacar a vivência comunitária e as mudanças periódicas dos autóctones das povoações mais altas, designadas por "brandas" para as mais baixas, chamadas "inverneiras", quando o frio chega e vice-versa no início da Primavera"

O rio laboreiro, suas afluentes e cascatas

o-rio-laboreirocascataO rio laboreiro ajuda na criação de cenário de rara beleza. Nasce no planalto e corre em direção ao rio Lima, com cerca de 20 km de curso onde se verificam a formação de dezenas de ribeiro, rápidos e cascatas propícios à prática de desportos aquáticos assim como da pesca desportiva. Segundo o Dicionário Enciclopédico das Freguesias cit in (Câmara Municipal de Melgaço, 2013) no decurso do rio encontram-se pontes romanas, românicas e também de estilo celta e que “Ligando as suas margens, permanecem as pontes que as várias civilizações que por aqui passaram foram construindo ao longo dos tempos” (idem) e que formam um conjunto arquitectónico de elevado interesse.

Os montes do laboreiro

montes-laboreiro-geresmontes-serras-laboreiroA serra do laboreiro está inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês e a sua morfologia caracteriza-se pela existência de elevadas montanhas, escarpas e penhascos, que se situam a mais de 1.000 metros de altitude, alternada por vales profundos de vegetação frondosa. Atravessada por muitas corgas e regatos que afluem no rio laboreiro e que formam vales de densa vegetação que se transforma em diferentes cenários nas diferentes estações do ano. A ocupação da serra do laboreiro esteve sempre ligada ao aproveitamento dos recursos naturais, marcada por uma ocupação sazonal, onde predominou a pastorícia e a agricultura, com a ocupação de alguns dos lugares mais altos junto aos planaltos e mais baixos juntos aos regatos.

Património a visitar em Castro Laboreiro 

O Castelo de Castro Laboreiro

castelo-castro-laboreiro-pnpgErguido no alto de um monte, na cota de 1.033 metros acima do nível do mar, apresenta planta aproximadamente oval, adaptada ao terreno, orientada por um eixo norte-sul. Classificado como monumento nacional pelo Decreto n.º 33 587, DG, I Série, n.º 63, de 27-03-1944. "A praticamente 1000 metros de altitude, e localizado em pleno sistema montanhoso da Peneda-Gerês, numa linha interior da fronteira entre o Alto Minho e a zona de influência de Ourense, o castelo de Castro Laboreiro é um dos mais emblemáticos monumentos militares nacionais, mais pela localização geográfica aberta aos planaltos galegos, que pela sua pretensa importância no quadro da história militar portuguesa." Ver mais em Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Diz o povo que o Castelo de Castro Laboreiro foi obra dos mouros. Pinho Leal refere na sua obra, “Portugal Antigo e Moderno”, que o mais certo é ter sido construído pelos romanos. O Pe. Aníbal Rodrigues coloca-o no ano de 955, fundado por S. Rosendo, governador do Val del Limia, desde Maio desse ano, por nomeação de D. Ordonho III, rei de Leão. Por ordem de D. Afonso Henriques o castelo foi rodeado por muralhas. Nos princípios do século XIV, quando caiu um raio no paiol de pólvora, todo o polígono foi pelos ares, tendo D. Dinis ordenado a sua re-edificação.

Ponte Nova ou de Cava Velha

Classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986. "Ela ligava inicialmente a via romana que, da Portela do Homem, se dirigia a Laboreiro, e a sua existência justificou-se, ainda, pela proximidade em relação a uma fortaleza castreja, situada nas imediações, como forma de garantir o processo de romanização e de ataque das tropas romanas". Ver mais em Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.

Conjunto Megalítico e de Arte Rupestre do Planalto de Castro Laboreiro

Classificado com sítio de Interesse Público em 1 de Julho de 2013, Portaria n.º 431 - A/2013 "A Necrópole megalítica do Planalto de Castro Laboreiro, com cerca de 62 monumentos é uma das maiores da Península Ibérica, implantando-se numa área que abrange ainda a província da Galiza. Em território português é o conjunto mais setentrional que se conhece e aquele que se encontra a cotas mais elevadas. Apesar de, até ao momento, não terem sido estudados em toda a sua extensão, verifica-se que a maior parte dos monumentos se encontram isolados, muitas vezes dominando a paisagem, ou organizados em grupos, junto às principais portelas naturais e às nascentes do rio Laboreiro e respetivos afluentes. Observou-se, ainda, que nos esteios dos dolmens que foram objeto de intervenção arqueológica surgem gravuras com motivos essencialmente geométricos e, no caso da Mamoa 2 da Portela de Pau, são também visíveis vestígios de pintura. Relativamente à datação proposta para este conjunto, presume-se que se situe entre o Vº e o IV milénio a.C.

Outros Imóveis de Interesse Público em Castro Laboreiro

Igreja Matriz de Santa Maria da Visitação de Castro Laboreiro

A Igreja Matriz de Castro Laboreiro ou Igreja de Nossa Senhora da Visitação é um edifício da Idade Média, com características românicas, de paredes laterais maciças, com cinco volumosos contrafortes de reforço aos arcos interiores. Junte à pilastra da fachada sul podemos encontrar um relógio de sol.

ponte-assureiraPonte de Varziela

Conjunto constituído pela Ponte da Assureira, Capela de São Brás e moinho de água

Pelourinho de Castro Laboreiro

Ponte das Cainheiras

Ponte da Dorna

Os Fornos comunitários, exemplo da vida em comunidade. Os Moinhos de água que se encontram nas margens do rio Laboreiro. O conjunto de moinhos mais significativo encontra-se junto à branda do rodeiro.

Núcleo Museológico de Castro Laboreiro

Dedicado à história e tradição da freguesia de Castro Laboreiro, a maior e mais antiga do concelho, este Núcleo divulga aspectos relacionados com a paisagem e a vivência locais, nomeadamente no que respeita às Brandas, às Inverneiras e ao Planalto. Na casa anexa à sede, uma construção tipicamente castreja, é retratado o ambiente de uma casa local, na segunda metade do século XX (Câmara Municipal de Melgaço, 2013). Click aqui para visualizar horário e contactos do Museu de Castro Laboreiro.

A gastronomia de Castro Laboreiro

A gastronomia de Castro Laboreiro assenta nos produtos endógenos da região, de elevada qualidade e com características únicas como podemos verificar pela afirmação de Rocha: "Batatas menos húmidas, em que o sabor sobe até ao céu, pelos ínvios caminhos que passam pelo castelo roqueiro" (1993, p. 332). Enumeramos os seguintes produtos e pratos típicos como mais representativos da gastronomia de Castro Laboreiro:
  • Fumeiro de Castro Laboreiro
  • Broa de centeio e Broa de milho.
  • Batatas cozidas
  • Cabrito de Castro Laboreiro
  • Bifes de presunto
  • O bucho doce
  • Sopa seca de pão duro

O cão Castro Laboreiro

cao-castro-laboreiro“O Castro Laboreiro é conhecido pela sua Rusticidade, Carácter e Nobreza desde tempos idos” ... "animal nobre, de tipo amastinado, que servia na Idade Média de pagamento de tributo aos reis e que o utilizavam na caça grossa." (Sampaio, 1991, p. 89) O cão "Castro Laboreiro caracteriza-se  por uma raridade portuguesa no mundo animal - a raça de cães que toma o nome da própria terra - tipo Cão de montanha, cuja fama remonta ao século VIII." (Rocha, 1993, p. 125). Segundo a Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro (2013) o isolamento e a sociedade agro-pastoril que se manteve inalterável durante séculos levaram à seleção de um Cão guardador dos haveres familiares, reconhecido oficialmente como raça canina em 1935. Este animal, nobre e fiel, hoje em extinção, em parte devido às transformações sociais ocorridas no seu solar, é um património nacional vivo que urge proteger e preservar. O isolamento e a sociedade agro-pastorial que se manteve inalterável durante séculos levaram à selecção de um Cão guardador dos haveres familiares, reconhecido oficialmente como raça canina em 1935. Este animal, nobre e fiel, hoje em extinção, em parte devido às transformações sociais ocorridas no seu solar, é um património nacional vivo que urge proteger e preservar e, para isso foi criada na freguesia a Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro que conta entre os seus fins: “a defesa, preservação, selecção, promoção, divulgação e valorização” desta raça autóctone ancestral, o CÃO de CASTRO LABOREIRO. Em 1914 realiza-se o 1º Concurso Tradicional, um dos mais antigos concursos conhecidos de uma raça canina, evento que pode ser seguido por qualquer visitante ou turista, todos os anos no dia 15 de Agosto, conhecendo assim a raça e os seus principais criadores. Pode consultar toda a informação relacionada com o cão da raça Castro Laboreiro click aqui para ir para a página da Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro.

O cavalo garrano

cavalo-garrano-castro-laboreiroO cavalo garrano que muitas vezes se pode confundir com um pónei é um pequeno cavalo Português, que ocupa um lugar da mais extrema importância no panorama do património genético da região. É provavelmente o único cavalo do mundo verdadeiramente selvagem pois nunca foi alvo de qualquer reintrodução, ao contrário de outras espécies descendentes do cavalo original. Trata-se de uma raça protegida devido ao perigo de extinção a que este sujeito, habita as zonas da serra do Laboreiro num estado semisselvagem e sendo um cavalo rústico, dócil e de fácil treino é muito utilizado na região. Em estado selvagem ou por iniciativa de alguns criadores é possível encontra-lo com frequência em manadas a pastar em liberdade. De pequena estatura – 1,32 m em média, cor castanha, membros robustos e curtos, perfil côncavo e pescoço grosso adornado frequentemente de uma densa crina. No Inverno, quando o frio aperta, veste-se de forte pelagem. Parente próximo dos póneis da Europa do Norte, o garrano galiziano adaptou-se às regiões montanhosas húmidas e frias, tendo evoluído ao sabor do avanço e do recuo dos glaciares do Paleolítico Médio. É um animal característico do Nodeste Ibérico, muito apreciado pela sua resistência e constituindo enormes manadas sobretudo na vizinha Galiza, onde são apascentados, tal como em Portugal, no baldio.

O lobo ibérico

lobo-iberico O lobo ibérico é uma subespécie do lobo-cinzento que ocorre na Península Ibérica. Outrora muito abundante,a sua população actual deve rondar os 2000 indivíduos, dos quais cerca de 300 habitam a região norte de Portugal. Ainda no século XIX o lobo se distribuía por quase todo o território da Península Ibérica. Ao longo do século XX, a caça e a redução do habitat natural causaram a sua extinção na maior parte desse território. Actualmente o lobo-ibérico está praticamente restrito ao quadrante noroeste da península. Como em toda a Europa, o lobo é temido pelas pessoas na Península Ibérica desde tempos remotos. A alegada ferocidade do lobo e o roubo de animais de criação levaram à caça sistemática destes canídeos, que tiveram sua área de distribuição geográfica muito reduzida. Enquanto que no início do século XX os lobos ainda se distribuíam por quase todo o território continental português, calcula-se que hoje esses animais ocupem apenas 20% da sua área de distribuição original. Apesar de que a caça é hoje proibida, o lobo ainda é ameaçado pela destruição da vegetação nativa e a construção de grandes infra-estruturas, como auto-estradas, que fragmentam os habitats. A diminuição do número de presas naturais do lobo, como o javali, o corço e o veado, levam os lobos a atacar animais domésticos e a entrar em conflito com as populações rurais. Em Portugal, o lobo ibérico, possui o estatuto de conservação de espécie em perigo. Com diversas ameaças à sua conservação, das quais se destacam a escassez de presas selvagens, desaparecimento da vegetação autóctone, fragmentação de habitat por implementação de grandes infraestruturas e conflitos de diversa ordem com o Homem. Atualmente o lobo ibérico tem uma distribuição que compreende sobretudo a região norte. De uma forma mais particular a espécie ocorre em áreas montanhosas destas regiões refletindo uma menor densidade populacional humana e atividade agrícola pouco intensiva nestes locais. Ver mais informação sobre o lobo ibérico no site da Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico.
 
 

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